Ao voltar pra sala depara-se com sua avó sentada na mesma cadeira, com as duas agulhas de costura enfiadas em seu pescoço, o sangue que escorria tingia seu vestido cor de terracota, que ela tanto usava, aquele que toda a família falava para que ela tirasse pois já havia gastado de tanto ela usar, e que implicavam dizendo que nem parecia que ela havia tomado banho. Aquele vestido de tantas histórias, agora brilhava escarlate, com o sangue recém saído escorrendo por todo. Dios não soube como reagir, analisando friamente a situação, é o que se podia dizer, pois não poderíamos saber até então tudo que passou pela cabeça do garoto. Viu a expressão assustada da avó. Suas mãos e suas pernas tremiam, e ficaram bambas, seu carrinho caiu no chão. Depois de alguns anos veio a admitir que viu tudo girar e sabemos que sentiu algumas outras sensações que jamais conseguiria admitir, como a vontade de rir da situação como se fosse uma brincadeira ou algo assim.
Lembrou-se como em um estalo do barulho de alguém subindo as escadas rapidamente que ouviu, pensou em algum tipo de serial killer como os que viu na tv na ultima semana, sua espinha gelou , não sabia o que fazer, sua vontade era correr e encontrar o desgraçado, mas se o encontrasse o que faria , o que uma criança de nove anos faria contra um assassino especializado em ... assassinar. Tremeu só de pensar em sua mãe chegando e vendo ele e a avó, mortos.
Dessa imagem de Dios parado em pé tremendo e pensando em como fazer algo para mudar aquilo, vemos a mesma casa, 6 anos depois, a casa continua a mesma , algumas fotos e alguns quadros a mães, a foto de sua falecida avó em uma estande especial. Descendo as escadas da mesma madeira de sempre, temos um garoto de pele pálida, como a maioria da sua cidade , mas de cabelos negros, o que o diferencia da maioria de Loiros e Ruivos de sua cidade e causa até um certo desconforto para família. Ele é Dios , agora com seus 15 anos , um adolescente feito, cheio de seus problemas e suas revoltas pessoais,porem mais retraído do que a maioria , causando até um certo fascínio pelas suas colegas e irritação de alguns colegas, por todo o mistério envolto em seu olhar que parece estar sempre em outro lugar , escutando uma outra musica e um fato que não consegue esquecer, mas que nunca fala sobre, o dia da morte de sua avó. Naquela manha quando Dios descia as escadas, tomava seu café com Seus pais e irmãos e ia para escola com aquele mesmo ônibus escolar amarelo, ele não fazia idéia de que ele teria que falar, pela primeira vez, tudo sobre a morte de sua avó.
2 comentários:
bizarrë como ahistória fluiu XD~
amei.
só nao entendi uma coisa, quem morreu alem da avó?
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